quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A tua mente não é o teu Cérebro




Texto do livro: Um Manual para a Ascensão, Por Seraphis
Canalizado por Tony Stubbs (Denver, Colorado< USA)
Há muitos cientista que procuram dento do cérebro as funções da mente humana. Isto é o mesmo que investigar o interior de um aparelho de rádio em busca da voz que se ouve, e perguntar com o é que os circuitos eletrônicos são suficientemente inteligentes para saberem quais as taxas da bolsa de valores, onde estão a ocorrer os engarrafamentos de trânsito, qual a previsão do tempo,e as outras informações que a rádio costuma fornecer!
Obviamente o aparelho de rádio não sabe de todas as coisas; o que faz, com muita eficiência, é detectar o campo eletromagnético codificado com toda aquela informação, ou seja, o sinal de transmissão em que se encontra sintonizado!
De igual forma, também o cérebro detecta o que ocorre no campo mental.
Embora o teu cérebro esteja um tanto limitado pelo hábito do que costuma sintonizar, tu podes ampliá-lo um pouco. Tu possuis uma “estação favorita” à qual dedicas quase todo o teu tampo de audição; mas, com um pouco de prática facilmente poderás deslocar, para cima e para baixo, o teu “sintonizador de frequências”.
Aqueles que fazem isso sem se aperceberam ficam muito confundidos com todas as “estranhas emissões” e os “ruídos de estática” emitidos pelas outras pessoas!
O cérebro, em si mesmo, não sabe nada evidentemente. Ele é um milagroso decodificador e tradutor, uma antena surpreendentemente complexa em relação aos campos mental e físico, processando os sinais provenientes dos sentidos externos e correlacionando-os, por forma a oferecer um quadro completo da realidade física. Quando os teus olhos vêm um padrão de energia, o cérebro converte esse emaranhado de sinais em imagens de mesas, cadeiras, árvores, etc. No entanto, as funções da mente – o pensamento, por exemplo – estão ancorados no campo mental, não no cérebro.
Não penses que eu estou a minimizar as funções do vosso cérebro. Na qualidade de “biotransdutor” ele é um dos transmissores/receptores de energia eletroquímica mais complexo que existem em qualquer plano físico, em qualquer parte do Universo. E foram vocês, enquanto ESPÍRITO, que conceberam e desenvolveram como resposta à necessidade da espécie humana se focalizar totalmente no plano físico.
 O vosso cérebro é único no Universo!

***
Portanto, aquilo que pare se o “tu”, na verdade, não passa de um certo número de campos, cada um dos quais sustenta uma banda de energias surpreendentemente complexas, compostas por um enorme número de frequências interactivas. Essa combinação de energias, ou marca energética, define a tua personalidade... e é única no Universo! Estes padrões indescritivelmente complexos que constituem o “tu” que tu conheces, variam constantemente de acordo com as alterações que, a cada momento, ocorrem nas suas intenções e nas funções de teu eu-espiritual. Assim sendo, torna-se urgente que aprendas a ser sensível ás suas energias.
Por exemplo, se estás ocupado e, de repente, a coisa deixou de te interessar, é bom que pares e vá fazer outra coisa...ou não fazer nada. Esta mudança de estado significa que ocorreu um deslocamento dimensional mais elevado, pelo que a energia, simplesmente,se escapou do que estavas a fazer. Também é possível que estejas num determinado lugar e, de repente,sintas que tens de sair dali. Dá-te a honra de respeitar esse sentimento e sai. Não te desculpes; diz simplesmente: “É tempo de me ir embora”.
Embora as frequências energéticas dos campos físicas, emocional e mental não se sobreponham, ocorrem ressonâncias extremamente complexas entre elas; por exemplo, a energia do medo do corpo emocional afogará os pensamentos de optimismo do corpo mental.
Distintos tipos de energia também interagem dentro de um mesmo corpo; por exemplo, uma frequência de medo cobrirá, e muito provavelmente excluirá, a frequência do amor. Isso ocorre de vido à forma como essas duas frequências interagem entre si: o medo – quer esteja a ser manifestado como suspeita, ciúmes, arrogância, menosprezo por si mesmo, etc. – é uma energia de baixa frequência que bloqueia as energias de frequências mais elevadas.
Bom, não julgues o medo como algo “mau” (ele é de facto, um exemplo professor no que toca a determinadas lições), mas encara-o- e isto é urgente – como aquilo, na verdade, é: simplesmente energia! No entanto é sempre o medo que está na base dos sentimentos de inadequação, de incapacidade de lidar com a vida ou com algum aspecto específico dela; e, lá bem no fundo, é nele que assenta a sensação de estares separado do ESPIRITO.
Repara, no entanto, que não passa de uma sensação de separação, pois, na verdade, tu jamais estás, estivestes, ou estarás separado. Não é assim que o Universo funciona!
O medo pode ter uma magnitude tal que invada completamente os teus campos e distorça, por completo, todas as emoções e pensamentos. Isto levar-te-á, é claro, a interpretar o acto mais gentil como um interesse egoísta. Felizmente, tal como veremos, a emoção de amor actua exatamente da mesma maneira pode inundar todos os teus campos.
Provavelmente, aquilo que determina a forma como te sentes e até que ponto estás “em forma”, é o grau de alinhamento dos corpos emocional e mental. Relembra que um corpo é a combinação de um campo e dos seus conteúdos; assim quando são equilibrados, eles posicionam-se simetricamente à volta do corpo físico e vibram na proporção mais adequada. Todavia, após uma violente discussão com alguém,o emocional poderá ficar literalmente “torcido”, ao passo que o mental, após o trabalho cerebral intenso, poderá dar a sensação de estar localizado exclusivamente a volta da cabeça e de vibrar de forma errática.

Viviane Teles
Ministra do Meio Ambiente





quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Vôo da Águia



JORNADA XAMÂNICA VOO DA ÁGUIA




POR LÉO ARTESE
FONTE: WWW.XAMANISMO.COM
As jornadas xamânicas Voo da Águia celebram o Calendário Sagrado de acordo com as estações do ano (Primavera, Fertilização, Verão, Primeira Colheita, Outono, Última Colheita, Inverno e Germinação), possibilitando o indivíduo ver que é parte de algo maior, parte de uma "Terra Viva" que respira.
Os ancestrais xamânicos celebravam as transformações ocorridas na natureza que eram chamados de festivais. Os Festivais Solares apresentam o relacionamento da Terra com o Sol e com os aspectos instintivos, místicos e filosóficos que são inspirados por esse relacionamento em datas determinadas. Os Festivais do Fogo aconteciam em datas fixas, marcando os pontos intermediários entre os solstícios e os equinócios.
Para garantir sua sobrevivência, em ambiente hostil, os homens primitivos, interpretavam os sinais e as mudanças da natureza a seu redor. Viviam de acordo com os ciclos do Sol e da Lua, das mudanças das estações, das manifestações da natureza, vento, chuva, etc
As Jornadas Voo da Águia tiveram sua origem em 1992, de lá para cá, uma minuciosa arquitetura cerimonial vem sendo tecida reunindo conhecimentos adquiridos do xamanismo andino, nativos norte-americanos e da pajelança brasileira e das inspirações que fui recebendo em minha pesquisa. Pesquisando o Universo misterioso do xamanismo,aprendemos que tudo no Universo se move com harmonia e em ciclos; as mudanças das estações, o nascimento, crescimento, velhice e a morte, até nosso próprio senso de quem somos de verdade.
O resgate dos festivais sazonais (Solstícios e Equinócios), por exemplo, não marcam apenas a jornada do Sol, mas também os pontos críticos das estações, o ciclo agrícola, nossas emoções, hábitos. Essas forças verdadeiras, acessadas desde o princípio na história espiritual da Terra, são resgatadas através dos séculos e podendo senti-las atuando em todos os momentos. Esse resgate cria a possibilidade de sentir a ligação profunda que a natureza tem com a vida e como o indivíduo se torna parte de uma comunidade global.
Ao conduzir essas jornadas, refletindo na dança das estações, observando o seu ciclo de começo, meio e fim, pesquisei quais tipos de ações são apropriadas para cada fase. O que é bom para uma época, pode ser destrutivo em outra. Até 2003, de posse desse conhecimento, adotei o Calendário Sagrado em sua totalidade, de forma sistemática, realizando ritos de passagem à cada uma das oito estações do Ano.
Por meio de ritos e cerimônias é criada uma atmosfera sagrada e de poder que permite insight´s e transformação. É criado um ambiente ritualístico na qual, o passado torna-se presente. Os participantes conectam-se aos ancestrais, meditando, revendo a vida e renovando-se à cada 45 dias.
A adoção do Calendário Sagrado transformou e tem transformado a vida das pessoas que buscam através “Voo da Águia”, uma possibilidade de transformar o sentido na forma de ver a vida, nas relações, no meio ambiente e na fé.
Viver na "Excelência" é poder viver a vida ao ritmo de cada estação. A natureza cria as regras, aprendemos a navegar nas marés, a aquietar no inverno, a colocar em ação no verão, iniciar na primavera e colher no outono. Cria-se uma consciência coletiva que cada estação é um momento para renovar e que para isso é preciso nos purificar. Livrar-nos do que é velho, para celebrarmos o novo. Prepararmo-nos para acalentar a esperança de nossos sonhos de futuro, nossas metas. No ambiente ritualístico, recarregam-se energias e esperanças com todos unidos. Um momento de ouvirmos e contarmos histórias e aprendermos com a sabedoria da Terra.
O objetivo das cerimônias, é proporcionar um ambiente seguro e ligado ao sentido de pertencimento e integralidade com a natureza para que o participante possa se "conhecer melhor" e, através de um voo interior, amparado na sabedoria ancestral, ir ao encontro do propósito de sua alma.
A proposta com as jornadas é principalmente propiciar uma outra forma de pensar a vida, resgatar os mistérios que habita em todos os seres da Criação e a ligação com as forças da natureza. Cada mudança de estação influencia o clima, estilo de vida, emoções, mente corpo e alma. As mudanças de estação estabelecem seus poderes fora e dentro de nós. Para o pensamento nativo, poder é medicina, remédio. É a forma de utilizar a energia para o fortalecimento pessoal, profissional, espiritual e nos relacionamentos. O fato de o participante deslocar-se da cidade, do conforto e estar mais em contato com a terra, ouvindo os sons do fogo e da vida noturna na mata e poder se dirigir a Deus através da natureza, torna o ambiente propício, criando "momentos de poder" para o renascimento, pureza e renovação.
Resgatar a dimensão ancestral em nossas ações, vivenciar diferentes dimensões do tempo, as mais profundas raízes, deixar o coração bater no mesmo ritmo que a Terra, propicia este sentido de religare com sua natureza interior.

MEDICINAS DA JORNADA

Consagração da Ayahuasca
A bebida sacramental Ayahuasca, é, principalmente, fruto da decocção do cipó Banisteriopsis Caapi e a folha Psycotria Viridis. Os sentidos são expandidos, os processos mentais e as emoções tornam-se mais profundos. A experiência pode em algum ponto revelar visões notáveis, insight´s, catarses, produzindo experiências de renovação, de renascimento positivas. Uma vez que iniciado, o processo da renovação e transformação, eles continuam. O grande passo no trabalho com a Ayahuasca é a assimilação dos ensinamentos espirituais e a prática na vida diária, ou seja por em prática o que se aprende. Isso garante a dimensão espiritual em nosso dia-a-dia, e é essencial para recebermos as dádivas e as bênçãos espirituais e para que possamos evoluir no estudo, aprender mais. A ela atribui-se a cura de males físicos, psicológicos, mentais e espirituais. Os estudos científicos ocidentais estão confirmando aplicações médicas e psicoterapêuticas benéficas.
Purificação e limpeza com ervas e perfumes
Todos os caminhos espirituais têm rituais de limpeza e purificação. Antes que uma pessoa possa passar por uma sessão de cura, ou curar outra, deve limpar-se de todos os sentimentos maus, pensamentos negativos, espíritos maus ou energia negativa. Limpeza física e espiritual ajuda as energias curativas a virem desobstruídas, como aponta Artese. A Fumaça de limpeza é a mais antiga e a mais popular do meio xamânico, para purificar pensamentos, sentimentos e espíritos. A fumaça restabelece equilíbrio e harmonia transformando a energia através do fogo e purificando com essência de uma planta. Cria um processo físico, pensamento externo, espelho interno ou processo espiritual de equilíbrio e restauração da harmonia. Muito se falou sobre aromas, perfumes, essência, cheiros, poções mágicas na história da humanidade. Os aromas influenciam nosso astral. O sentido de olfato age principalmente no nível subconsciente, os nervos olfativos estão diretamente ligados com a parte mais primitiva de nosso cérebro, o sistema límbico.
Meditação com Tambor
O tambor é uma abordagem terapêutica antiga que usa o ritmo para promover a cura e auto expressão. Pesquisas recentes começam a verificar os efeitos terapêuticos de ritmos antigos. Elas indicam que a bateria, tambor, acelera a cura física, estimula o sistema imunológico e produz a sensação de bem-estar, liberação de trauma emocional e reintegração de si mesmo. Outros estudos demonstraram os efeitos calmantes dos efeitos da percussão em pacientes de Alzheimer, crianças autistas, adolescentes emocionalmente perturbados, adictos em recuperação, pacientes com trauma, presidiários e populações desabrigadas. Os resultados do estudo demonstram que a percussão é um tratamento valioso para o stress, a fadiga, ansiedade, hipertensão, asma, dor crónica, artrite, doença mental, enxaqueca, cancro, esclerose múltipla, doença de Parkinson, acidente vascular cerebral, paralisia, distúrbios emocionais, e uma vasta gama de deficiência física. O tambor xamânico produz estados claros de transe e níveis de relaxamento profundo. É também meio de conectar com os pontos mais distantes da grade energética. O tambor alinha-nos com as forças da harmonia. A harmonia é um atributo universal da consciência, e ajuda-nos viajar, através do espaço do coração.
Meditação com Tigela de Cristal (Crystal Bowls)
O tom de puro do cristal produz uma vibração que ressoa nos chackras criando uma atmosfera de pureza nos ligando com altas esferas, preenche a aura, equilibrando o corpo sutil. Altera a percepção, expande a consciência e acessa partes do nosso cérebro liberando químicas corporais que podem suprir dor, reforçar a vontade, produzir insights
Canções de Poder
Segundo muitas tradições, os sons e a música possuem um profundo efeito psicofísico. No caso específico do xamanismo, as canções de poder, acompanham as cerimônias para evocar espíritos guardiães, espíritos de cura, para intensificar a energia, para alterar a consciência, permitir a mente livre de pensamentos indesejáveis, para proporcionar visões. O ritmo também pode transportar o xamã de volta ao seu espaço interior . Todo xamã possui sua canção de poder para despertar seu animal e espíritos auxiliares. O ritmo e as palavras estabelecem uma comunicação com a natureza, libertando, de forma espontânea, a energia para curar e elevar a consciência.
Ritual do Fogo
No templo os participantes ficam o tempo todo, unidos por uma fogueira, como altar central no circulo. O fogo é relacionado com o espírito e associado a consciência, a iluminação. Sem o fogo do Sol iluminando a terra, a vida acabaria. É do casamento do Sol com a Lua que nasce nova vida na terra e a perpetua. O fogo energiza, é o elemento da transmutação, o reino da espiritualidade, da sexualidade e da paixão. Se expressa particularmente na criatividade, entusiasmo e movimentação, comportamento extrovertido, versatilidade. O fogo procura a expressão com as ideias. Iniciando novas ideias, consolidando ideias aceitas, mudando ideias. Tem fluidez, claridade, mobilidade.
Rito de Destruição Fogo
Nesta fase, os participantes são convidados a pegarem um graveto impregnando sua dores emocionais, vícios, culpas, atitudes negativas para serem queimadas, destruídas.
Ritual do Tabaco
O tabaco aqui citado, não é industrializado, e sim o tabaco xamânico. O tabaco selvagem em seu estado original é utilizado sem tragar. Simbolicamente as preces e desejos são enviados através da fumaça.
Aplicação do Colírio Sananga
Sananga, é um colírio extraído da raiz de uma planta amazônica , que amplia a visão noturna, aguça a percepção, promove expansão da consciência e propicia uma maior conexão com seres da floresta
Cerimônia do Rapé
O rapé é um pó feito de plantas, entre elas a principal é o tabaco, e é assoprado através de um instrumento de poder (canudo)nas narinas. Segundo a sabedoria indígena o rapé coloca-nos em contato com os espíritos de cura da floresta que nos trazem poder e força. Também para problemas tais como: sinusite, dor de cabeça, nariz congestionado. Também produz estados especiais de consciência.
Música da Alma
Música inspirada no momento com todos os presentes, somando os instrumentos levados pelos participantes.
Cerimônia do Pau-Falante
Trata-se de um pedaço de pau consagrado para que se apresente o sagrado ponto de vista. Neste ritual não pode ser utilizada nenhuma palavra que não represente a verdade. Só fala quem estiver com o pau-falante na mão, os demais permanecem em silêncio. É uma forma de honrar a sabedoria dos outros. Nesse instante os praticantes compartilham sua experiência na Jornada Voo da águia. Segundo Artese, a cura é baseada nesta consciência. Aquele que fala a verdade está se curando. Mas é uma cura para o grupo todo porque cada um individualmente é escutado, no silêncio e na reverência o participante tenha a compreensão do valor de sua palavra.
Comida e Água Ritual
Consagração de sementes ao fogo, comidas sagradas (milho e frutas), entrada ritualística de água fluidificada, porque, segundo Artese, isto transmite o valor da importância sobre os fluídos da água assim como reconhecer o valor da alimentação saudável e a relação de respeito com os animais como seres pertencentes da mesma natureza.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A carta da Terra


O QUE É?
A Carta da Terra é uma declaração de princípios éticos fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa, sustentável e pacífica.  Busca inspirar todos os povos a um novo sentido de interdependência global e responsabilidade compartilhada voltado para o bem-estar de toda a família humana, da grande comunidade da vida e das futuras gerações. É uma visão de esperança e um chamado à ação. 
É o resultado de uma década de diálogo intercultural, em torno de objetivos comuns e valores compartilhados. O projeto começou como uma iniciativa das Nações Unidas, mas se desenvolveu e finalizou como uma iniciativa global da sociedade civil. Em 2000 a Comissão da Carta da Terra, uma entidade internacional independente, concluiu e divulgou o documento como a carta dos povos.
A redação envolveu o mais inclusivo e participativo processo associado à criação de uma declaração internacional.  Esse processo é a fonte básica de sua legitimidade como um marco de guia ético. A legitimidade do documento foi fortalecida pela adesão de mais de 4.500 organizações, incluindo vários organismos governamentais e organizações internacionais.  
À luz desta legitimidade, um crescente número de juristas internacionais reconhece que a Carta está adquirindo um status de lei branca (soft law). Leis brancas, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos são consideradas como moralmente, mas não juridicamente obrigatórias para os Governos de Estado, que aceitam subscrevê-las e adotá-las, e muitas vezes servem de base para o desenvolvimento de uma lei stritu senso (hard law).
Neste momento em que é urgentemente necessário mudar a maneira como pensamos e vivemos, a Carta da Terra nos desafia a examinar nossos valores e a escolher um melhor caminho. Alianças internacionais são cada vez mais necessárias, a Carta da Terra nos encoraja a buscar aspectos em comum em meio à nossa diversidade e adotar uma nova ética global, partilhada por um número crescente de pessoas por todo o mundo. Num momento onde educação para o desenvolvimento sustentável tornou-se essencial, a Carta da Terra oferece um instrumento educacional muito valioso.

CONTEÚDO
PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem supridas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais e não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas comunidades locais. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
Reconhecer que todos os seres são interdependentes e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder, vem a
maior responsabilidade de promover o bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a obtenção de uma condição de vida significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e às futuras gerações.
Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra a longo prazo.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.
Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável que façam com que a conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.
Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais.
Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam às taxas de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.
Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o esgotamento e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico for incompleto ou não-conclusivo.
Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo dano ambiental.
Assegurar que as tomadas de decisão considerem as conseqüências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de longo alcance e globais das atividades humanas.
Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
Evitar atividades militares que causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, como a energia solar e do vento.
Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais seguras.
Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas sociais e ambientais.
Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do conhecimento adquirido.
Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.


III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e internacionais demandados.
Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes de se manter por conta própria.
Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas capacidades e alcançarem suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
Promover a distribuição equitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de dívidas internacionais onerosas.
Assegurar que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas consequências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a equidade dos gêneros como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, com especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas com condições de vida sustentáveis.
Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e prover transparência e responsabilização no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões e acesso à justiça.
Defender o direito de todas as pessoas receberem informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações interessados na tomada de decisões.
Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de reunião pacífica, de associação e de oposição.
Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais administrativos e independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais.
Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimento.
Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência e paz.
Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a proteção ambiental e a paz.
Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.